Desfibrilador Externo Automático DEA- AED

DESFIBRILADOR EXTERNO AUTOMÁTICO (DEA) – (AED)

Papel do DEA na Cadeia de Sobrevivência

 

DEA é um aparelho que incorpora um sistema de análise de ritmo e um

sistema de aviso de choque para vítimas de parada cardíaca . O DEA avisa sobre

o choque e o operador deve tomar a decisão final de deflagrá-lo. As normas

internacionais para ressuscitação cardio-pulmonar (RCP) e cuidados

cardiovasculares de emergência concluem que a ressuscitação cardio-pulmonar

precoce é o melhor tratamento de parada cardíaca até a chegada de um DEA e de

uma unidade de suporte avançado de vida. A cadeia de sobrevivência inclui uma

série de ações criadas para reduzir a mortalidade associada à parada cardíaca. A

RCP precoce desempenha um papel fundamental na cadeia de sobrevivência, que

inclui os seguintes tópicos:

1)Reconhecimento precoce de parada cardio-respiratória;

2)RCP precoce;

3)Desfibrilação precoce quando indicada e;

4)Suporte avançado à vida precoce.

 A RCP precoce pode prevenir que a fibrilação ventricular evolua

para assistolia, aumentar a chance de sucesso da desfibrilação, contribuir para a

preservação das funções cardíacas e cerebrais e aumentar significativamente as

chances de sobrevivência. É importante para vítimas de parada cardíaca súbita e em choque (fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular com ausência de pulso), que o único e mais importante determinante de sobrevivência é o tempo do colapso à desfibrilação. Uma revisão recente catalogou dados comparando o tempo para aplicação do choque entre primeiro socorristas (bombeiros, polícia, suporte básico à vida) e paramédicos, e demonstrou tempos significativamente curtos entre os primeiros socorristas em três de cinco estudos. Foi documentada uma taxa de sobrevivência entre vítimas de parada cardíaca com fibrilação ventricular confirmada acima de 90% quando a desfibrilação é atingida dentro do primeiro minuto de colapso.

 As taxas de sobrevivência declinam 7 a 10% a cada minuto em que a desfibrilação é atrasada, de modo que uma vítima de parada cardíaca sem

desfibrilação por 12 minutos tem apenas 2 a 5% de chance de sobrevivência.

 As maiores taxas de sobrevivência de parada cardíaca fora do ambiente hospitalar foram documentadas em programas de reabilitação cardíaca com desfibriladores, onde a taxa de sobrevivência aproxima-se a 90%. As condutas

internacionais concluem que o acesso público à desfibrilação, alcançado pela

instalação de DEA em locais selecionados para uso imediato por leigos treinados,

pode ser a intervenção chave para aumentar significativamente a sobrevivência de

uma parada cardíaca fora do ambiente hospitalar. Dois estudos observacionais

recentes documentam resultados impressionantes relacionados à efetividade do

acesso público ao desfibrilador em pessoas com parada cardíaca em fibrilação

ventricular com DEA instalado em cassinos e aviões. As taxas de

sobrevivência após alta hospitalar foram de 55% e 40%, respectivamente.

 

Riscos Cardiovasculares para o exercício

 

As recomendações de AHA / ACSM fornecem detalhes relacionados

aos riscos cardiovasculares do exercício. É claro que eventos cardiovasculares

adversos, incluindo morte, é maior entre os indivíduos com doença cardíaca

comparados a indivíduos presumidamente saudáveis . Como a demografia de

mais de 30 milhões de indivíduos que se exercitam em instalações de saúde e

condicionamento físico demonstra um aumento do número de membros acima de 35

anos (55% dos membros atuais), é razoável presumir que o número de

membros com doença cardiovascular (e outras comorbidades) também esteja

subindo. Embora não haja dados relacionados à ocorrência de parada cardíaca em

instalações de aptidão física, duas pesquisas recentes fornecem elucidações

importantes. Um banco de dados amplo constituído por mais de 2,9 milhões de

membros de uma grande cadeia de instalações comerciais de saúde e

condicionamento físico demonstra 71 mortes (52 anos com +/- 13 anos; 61 homens e 10 mulheres) ocorridas dentro de um período de 2 anos, revelando uma taxa de 1 morte / 100000 membros / ano. A taxa de mortalidade foi maior entre aqueles membros que se exercitavam menos freqüentemente a tal ponto que quase metade das mortes relacionadas ao exercício ocorreram em indivíduos que se exercitavam menos de uma vez na semana . A taxa de parada cardíaca não foi

documentada, mas foi presumidamente maior que a taxa de mortalidade. Uma

pesquisa recente de 65 instalações de saúde e condicionamento escolhidas ao

acaso em Ohio documenta a ocorrência de parada cardíaca súbita ou ataque

cardíaco em 17% das instalações durante um período de 5 anos. Notavelmente,

somente 3% das instalações possuíam um DEA no local. Deste modo, é prudente

concluir que essas instalações devam ser consideradas locais em que o acesso

público aos desfibriladores deva ser estabelecido.

 

Recomendações

 

É essencial constatar que o equipamento de emergência isoladamente não

salva vidas. A AHA/ACSM recomenda e enfatiza a importância de políticas

emergenciais escritas e procedimentos que sejam revisados e praticados

regularmente. Instalações de saúde e condicionamento físico com equipe bem

treinada são essenciais para manter fortes vínculos na cadeia de sobrevivência para seus clientes. A instalação efetiva e o uso de DEA nessas instalações sempre são incentivados, como permitido por lei, para atingir o objetivo de minimizar o tempo entre o reconhecimento da parada cardíaca e a desfibrilação com sucesso. Até que dados definitivos estejam disponíveis, a instalação de DEA é fortemente incentivada nessas instalações de saúde e condicionamento físico com grande número de membros (>2500 membros (maior que instalações de porte médio)); aquelas que oferecem programas especiais para clínicas (programas para idosos ou população em cuidados médicos; observe que em instalações nível 5, os modelos atuais de equipamentos requerem desfibriladores; e naquelas instalações

em que o tempo do reconhecimento de parada cardíaca até o primeiro choque pela equipe de emergência cardiovascular é maior que 5 minutos. Em salas não

supervisionadas de exercícios, como em hotéis, condomínios e prédios de

escritórios, instituições com grande número de clientes, o DEA deve ser parte do

planejamento do acesso público ao desfibrilador. Uma sala de exercícios sem

supervisão deve possuir, no mínimo, um telefone disponível com números anexos de forma clara para chamada de emergência. Em instalações supervisionadas é

essencial que profissionais treinados em RCP estejam sempre presentes. A RCP

deve ser iniciada logo que uma parada for reconhecida e deve continuar até que o

DEA seja instalado na vítima e ativado. Em casos de parada cardíaca que não seja

devido à fibrilação ventricular (FV) ou taquicardia ventricular (TV), DEA não são

úteis, e a RCP deve ser mantida. Além disso, após a recuperação dessas situações o socorrista deve abrir as vias aéreas e manter a ventilação e circulação com compressões torácicas até a chegada do suporte de emergência cardiovascular.

Por isso, o estabelecimento do acesso público aos desfibriladores em

instalações de saúde e condicionamento físico deve ser incentivado. Esse

planejamento deve incluir:

  • • Políticas emergenciais escritas e praticadas regularmente (pelo

menos uma vez a cada três meses);

  • • Equipe treinada em RCP e presente em todo o tempo de prática pelos

clientes;

  • • Treinar os instrutores para reconhecer parada cardíaca;
  • • Designar equipe para receber a equipe de suporte em emergência

cardiovascular na entrada das instalações para guiá-la prontamente

até a vítima;

  • • Fornecer RCP;
  • • Instalar e operar DEA (instruções detalhadas devem ser fornecidas

pelos fabricantes dos equipamentos e recomendações gerais estão

descritas no Consenso 2000 para Ressuscitação Cardio-pulmonar e

Suporte de Emergência Cardiovascular;

  • • O uso de DEA em crianças com menos de 8 anos de idade não é

recomendado .

 

Essas instalações devem coordenar seu programa de acesso público aos

desfibriladores juntamente com a equipe local de suporte em emergência

cardiovascular, pois muitos sistemas de comunicação utilizam protocolos

direcionados pelo telefone para auxiliar os socorristas no uso de DEA e notificam a

equipe de emergência a caminho do local em que o DEA está sendo usado. Além

disso, a equipe de emergência pode auxiliar no planejamento de programas e

melhoria da qualidade, incluindo direcionamento médico, protocolos para a

instalação, treinamento e monitoramento de DEA e revisão dos eventos relacionados

ao DEA . Simulações de emergência devem ser praticadas, no mínimo, a cada

três meses ou mais freqüentemente quando houver troca de equipe. Quando

uma nova equipe for contratada, novos arranjos devem ser necessários. O uso

simulado de DEA oferece oportunidade para manutenção das habilidades. Manter o DEA em condições de uso adequado de acordo com as especificações do fabricante é essencial. O acesso público aos desfibriladores deve ser alcançado com regulamentação e legislação local ou regional.

 

Custos

 

Detalhes relacionados aos aspectos técnicos do DEA já são descritos.

Atualmente, o custo de um DEA é de aproximadamente US$3000 a US$4500 por

unidade. É esperado que o preço diminua com a disseminação de seu uso. O

Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue (NHLBI), em parceria com a

Associação Americana do Coração (AHA) e o setor industrial, está conduzindo um

estudo prospectivo, multicêntrico e controlado para determinar a eficácia e o custobenefício da presença do DEA em vários locais públicos. Um estudo independente recente  demonstrou que um programa de instalação de DEA em aeronaves de grande (> 200 passageiros) ou média (> 100 passageiros) capacidade obtém, geralmente níveis aceitáveis de custo-benefício. Entretanto, o custo-benefício da disposição de DEA em aeronaves menores é, atualmente, incerto. Da mesma forma, como o custo-benefício da instalação de DEA nas instalações de saúde e condicionamento físico é desconhecido, é esperado que essas recomendações sejam revisadas e atualizadas quando esse tipo de informação estiver disponível.

Atualmente, as instalações individuais de saúde e condicionamento físico são

incentivadas a manterem dados na utilização de seu programa de acesso público

aos desfibriladores e, talvez, envolverem-se num esforço colaborativo com outras

instalações para garantir o sucesso de seus programas.

 

Resumo dos principais pontos

 

  • • O Ato de Sobrevivência ao Ataque Cardíaco e o Ato de Acesso a

Equipamentos de Emergência no Campo, como componente do Ato

de melhoria da Saúde Pública de 2000, assim como as Leis do “Bom

Samaritano” aprovadas em 47 Estados, expande as proteções legais

aos usuários de DEA ao longo das nações.

  • • A disposição de DEA em locais relacionados para uso imediato por

leigos treinados pode ser a intervenção chave para um aumento

significativo na sobrevivência de uma parada cardíaca fora de um

hospital.

  • • A cadeia de sobrevivência inclui uma série de ações criadas para

reduzir a mortalidade associada à parada cardíaca e inclui os

seguintes itens: Reconhecimento precoce de parada cardiopulmonar;

RCP precoce; Desfibrilação precoce quando indicada;

Suporte Avançado à vida precoce.

  • • Equipe bem treinada em instalações de saúde e condicionamento

físico é essencial para manter fortes vínculos na cadeia de

sobrevivência de seus clientes.

  • • Disposição efetiva de DEA em todas as instalações de saúde e

condicionamento físico é incentivada, como

permitida por lei, para alcançar o objetivo de minimizar o tempo entre

o reconhecimento de uma parada cardíaca e a desfibrilação com

sucesso. Até que dados definitivos estejam disponíveis, a instalação

de DEA é fortemente incentivada nas instalações com grande número

de membros (> 2500 membros); nas que oferecem programas

especiais para indivíduos com acompanhamento clínico (programas

para idosos ou indivíduos em condições médicas; e nlas

instalações em que o tempo de reconhecimento de uma parada

cardíaca até o primeiro choque pela equipe de emergência seja maior

que 5 minutos. Em salas de exercícios não supervisionadas

, como as localizadas em hotéis, condomínios ou

prédios comerciais, o DEA deve ser parte do planejamento geral de

acesso público ao desfibrilador..

  • • As instalações devem coordenar seu programa de acesso público aos

desfibriladores com a equipe de emergência local.

  • • Simulações de emergência devem ser praticadas, pelo menos, a cada

três meses ou mais freqüentemente quando ocorrer mudança de

equipe.

  • • Programas de acesso público aos desfibriladores devem estar de

acordo com a regulamentação e legislação local ou regional.

Este Posicionamento Oficial é de autoria do Colégio Americano de Medicina

Esportiva e Associação Americana do Coração e foi publicado em Medicine &

Science in Sports & Exercise e em Circulation.