Projeto Resgate

No Corpo de Bombeiros, a conscientização de que haveria necessidade em se melhorar o atendimento pré-hospitalar surgiu na prática do dia a dia, vivenciada pelos integrantes do Serviço de Salvamento.

Até então, sua atribuição específica era a de remover vítimas dos locais de acidente onde estavam presas ou com o acesso dificultado. Porém, muitas vezes esta remoção era lenta, com a vítima necessitando de cuidados, e dificilmente existia a presença de um médico no local.

Também, mesmo após sua remoção, as ambulâncias sempre tardavam a chegar e as viaturas de bombeiros não possuíam condições de acomodação para seu transporte a um hospital, restando apenas aguardar ou efetuar um transporte precário.

Em 1986, a Polícia Militar do Estado de São Paulo, em integração com a Associação de intercâmbio entre EUA e Brasil, denominada "Companheiros das Américas", enviou um grupo de quatro oficiais dos Bombeiros e um da Defesa Civil à cidade de Chicago, nos EUA, para a realização de um Curso de Técnicos em Emergências Médicas.

No seu regresso, os oficiais apresentaram um relatório ao Comandante Geral da Corporação, onde se propunha a reformulação dos conceitos e da instrução de primeiros socorros ministrada ao seu efetivo, bem como a criação de um serviço no Corpo de Bombeiros, com viaturas, equipamentos e pessoal específicos para o atendimento e transporte das vítimas de acidentes.

Em 1987, englobando todas as conclusões dos grupos de trabalho e selando a integração entre Saúde e Bombeiros, foi criada a Comissão de Atendimento Médico às Emergências do Estado de São Paulo - CAMEESP, que apresentou proposta para a criação de um projeto piloto de atendimento pré-hospitalar denominado PROJETO RESGATE.

Finalmente a proposta foi aprovada e, em 22 de maio de 1989 os Secretários Estaduais da Saúde e Segurança Pública assinaram a Resolução Conjunta SS/SSP no 42, que definia as formalidades de implantação do PROJETO RESGATE, sob a coordenação de uma comissão mista denominada GEPRO - EMERGÊNCIA e operacionalização do Corpo de Bombeiros e Grupamento de Radiopatrulha Aérea da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

O Serviço iniciou efetivamente no início de 1990, com atuação na Grande São Paulo e em 14 municípios do Estado, empregando 36 Unidades de Resgate, 02 Unidades de Suporte Avançado e 01 helicóptero. Este projeto inicial foi se expandindo por todo o Estado, aumentando o número de viaturas e de pessoal, até que em 10 de março de 1994, através do Decreto no 38432, o Serviço de Resgate foi consolidado e sua operacionalização atribuída exclusivamente à Polícia Militar do Estado de São Paulo, por intermédio do Corpo de Bombeiros e Grupamento de Radiopatrulha Aérea.

Na Capital o sistema operacional se desenvolve da seguinte forma:

a) os chamados são recebidos pelo Centro de Comunicações do Corpo de Bombeiros (COBOM);

b) nos casos de traumas, a Unidade de Resgate é enviada de imediato;

c) nos casos clínicos, há uma triagem prévia por um médico de plantão, que decide se é caso para uma Unidade de Resgate ou se repassa para o Serviço Municipal de Ambulâncias;

d) num tempo médio de 08 minutos a equipe chega ao local da ocorrência e comunica ao COBOM as informações preliminares da situação;

e) a equipe efetua o exame do acidentado e presta o suporte básico da vida, enquanto são transmitidos ao médico no COBOM, as informações mais detalhadas quanto ao seu estado; f

) a vítima é estabilizada e em seguida removida para a Unidade de Resgate;

g) baseado nos sinais vitais e ferimentos da vítima, o médico do COBOM define e contata o hospital mais adequado, orientando o deslocamento da Unidade de Resgate;

h) nos casos considerados mais graves , onde é necessário o emprego de suporte avançado da vida no local, é deslocada a Unidade de Suporte Avançado, com a presença de um médico;

i) quando o caso é extremamente grave , exigindo um rápido transporte para o hospital, é deslocado para a ocorrência um helicóptero com equipe médica; e

j) via de regra não são de competência do Serviço de Resgate atendimentos clínicos , atendimentos domiciliares ou remoções inter-hospitalares, sendo, quando solicitados, repassados para outros órgãos.

No interior e na região metropolitana, ainda o sistema funciona apenas com o Suporte Básico da Vida prestado pelas Unidades de Resgate, sem a presença de médicos no Centro de Comunicações, muito embora a meta seja de termos gradualmente o Serviço completo em todas as regiões do Estado."