Apesar do trabalho preventivo , é necessário
elaborar leis em que sejam tratados os
riscos impostos por balões.
A
ameaça representada pelos balões de ar
quente não-tripulados é irrestrita. Atinge
instalações industriais, como as refinarias
de petróleo, onde provocam incêndios em
tanques e áreas adjacentes. No ano de 1998,
na Refinaria de Duque de Caxias - REDUC,
responsável por 60% do abastecimento do
Estado do Rio de Janeiro, dois incêndios
foram causados por balões. Em 1999, até
meados de maio, um incêndio foi provocado no
parque de bombas que trazem o óleo crú para
dentro da Refinaria. Aliás, contrariando o
que alegam os baloeiros, as estatísticas da
REDUC acusam que dois em cada três balões
caem acesos.
As florestas e matas
virgens também não escapam da destruição
maestrada pelos baloeiros. Embora o Código
Florestal estabeleça, desde 1965, a soltura
de balões como contravenção, tais artefatos
continuam devastando grandes áreas verdes.
Entre 1993 e 1997, os balões provocaram
14.011 incêndios em vegetações na área do
Rio de Janeiro. O problema é agravado pela
menor umidade do ar no outono, que coincide
com o aumento da atividade baloeira,
motivada pelo Dia do Trabalho, Dia das Mães
e, sobretudo, pelas Festas Juninas.

Em defesa do meio ambiente, a Lei 9.605,
de 12 de fevereiro de 1998, em sua Seção II,
que trata dos crimes contra a flora,
estabelece:
"Art. 42. Fabricar, vender, transportar
ou soltar balões que possam provocar
incêndios nas florestas e demais formas
de vegetação, em áreas urbanas ou
qualquer tipo de assentamento humano:
Pena – detenção de um a três anos ou
multa, ou ambas as penas
cumulativamente."
Esse instrumento legal passou a ser o que de
mais forte existe contra a atividade
baloeira. As Secretarias de Segurança
Estaduais têm atuado intensamente, por meio
de suas Polícias Militares, Corpos de
Bombeiros e Polícias Civis, para coibir
todas as atividades voltadas à prática de
soltar balões. Muitos balões têm sido
apreendidos ainda na fase de confecção, que
é o melhor momento para reprimir esse crime.
Durante os festivais, quando grandes balões
são soltos, ocorre a aglomeração de milhares
de pessoas, muitas portando armas de fogo.
Agir em tais circunstâncias colocaria em
risco a vida das pessoas e dos policiais.
O Centro de Investigação e Prevenção de
Acidentes Aeronáuticos, CENIPA, juntamente
com outros órgãos ligados à segurança de
vôo, como o Departamento de Aviação Civil, a
Diretoria de Eletrônica e Proteção ao Vôo e
o Sindicato Nacional das Empresas
Aeroviárias, tem atuado para minimizar o
risco imposto pelos balões não-tripulados às
aeronaves. A ameaça ao vôo seguro é
caracterizada por diversos aspectos
inerentes ao uso do espaço aéreo.
A
incidência de balões nas zonas de controle
de tráfego de aeródromo tem sido
preocupante. Em 1998, foram recolhidos 118
balões no Aeroporto Internacional de
Guarulhos, em São Paulo, e 40 no Aeroporto
Internacional do Galeão, no Rio. Durante as
decolagens e pousos, a carga de trabalho da
tripulação é elevada, atraindo a atenção
para dentro da cabine. Aliado a isso, a
dinâmica de vôo nas modernas aeronaves faz
com que os pilotos voem por instrumentos
mesmo sob condições de céu claro, aspecto
que torna o risco de colidir com um balão
ainda mais elevado.
Grande também é o risco representado
pelos balões que povoam o espaço aéreo nos
diversos níveis de vôo das áreas terminais.
Não há como plotar o balão no radar de
bordo, que é meteorológico, tampouco no TCAS
– Traffic Alert and Avoidance System, que
requer um transponder acionado. Da mesma
forma, o balão não é identificado pelos
órgãos de controle de tráfego, cujos radares
não detectam o artefato devido ao
insuficiente eco radar.
O alcance dos grandes balões é
espantoso. Têm sido avistados a 15.000 pés
de altitude. O emprego de buchas acionadas
em seqüência aumenta a autonomia, fazendo
com que a permanência no ar dessas
verdadeiras minas seja prolongada. Os balões
têm apresentado dimensões cada vez maiores,
ultrapassando 40 metros de altura e peso
total superior a 100 quilos. A tecnologia
empregada na confecção utiliza bujões de
gás, baterias de automóveis, cordões
especiais e arames, dentre outros materiais
de alta resistência.
O Centro Técnico
Aeroespacial utiliza uma fórmula para
encontrar a força do impacto entre uma
aeronave e um balão. Cálculos matemáticos
mostram que uma aeronave na aproximação, com
150 nós, ao colidir com um balão de 10
quilos, sofrerá uma força de 2,56 toneladas.
A situação é agravada com o aumento da
velocidade da aeronave e do peso do balão:
uma aeronave em descida na área terminal,
com 250 nós, ao colidir com um balão de 150
quilos, receberá um impacto de 208
toneladas, ou seja, equivalente a meia
aeronave Boeing 747. Além disso, há a
capacidade explosiva dos fogos de artifício
e dos bujões de gás. Pássaros, que são bem
mais leves, menores e não explodem, já
derrubaram aeronaves de todos os portes,
inclusive Boeing 737 (Etiópia, 1988) e
Boeing 707 (Alasca, 1995). Não há defesa
contra os balões.
A Lei 9.605/98, que
trata dos crimes contra o meio ambiente,
alude aos incêndios sem, contudo, contemplar
o perigo imposto pelos balões às aeronaves.
Em face disso, o CENIPA defende a idéia de
uma Lei específica, em cujo bojo sejam
tratados os riscos impostos pelos balões
não-tripulados e, ainda, pelos pássaros. Por
ora, o órgão central do SIPAER, num trabalho
integrado com outras entidades, tem atuado
intensamente para reduzir o número de balões
que sobem nos grandes centros urbanos, como
São Paulo e Rio de Janeiro.
ACIDENTE COM BALÃO
Vítimas de explosão iriam
soltar balão na noite de ontem
do Agora São Paulo
O grupo de baloeiros mortos após uma
explosão em uma casa na Vila Carolina, zona
norte de São Paulo, iriam soltar um balão na
noite de ontem mesmo, disse Rafael
Fernandes, 18, que mora em frente à
residência. No local havia diversos fogos de
artifício.
Segundo bombeiros, a
explosão ocorreu no momento em que o grupo
estava montando uma cangalha (suporte para
os fogos de artifício).
Rafael disse
que, quando começaram os estouros, houve
muita gritaria e pedidos de socorro. "Eles
tentaram correr para um quartinho nos fundos
que também explodiu."
Fernandes
afirmou também que chegou a ver pelo menos
duas pessoas correndo e que conseguiram se
salvar.
Adriana Kajan, 23 anos, mora
na rua de trás da casa e conta que na hora
do acidente ouviu um barulho de fogos
explodindo. "Parecia Reveillon. Mas de
repente houve uma explosão muito grande."
A dona-de-casa Elisabeth Marcon, 50 anos,
disse que o filho Alex Antônio, de 20 anos,
participava do grupo de baloeiros. Mas ontem
não estava com a turma.
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